Nunca acredimos que algo trágico possa acontecer em nossas vidas!!Mas vem o "Destino" e nos prega uma peça,da qual não podemos sair dela,até temos vontade de fugir,acordar e ser só um pesadelo..mas aí acordamos e é tudo verdade..e o que nos resta é um novo começo.....

domingo, 10 de junho de 2012

Meus velhos

Dizem que saudade é solidão. Mas eu acho que não. Pra mim é um sentimento tão bom!!!
E quem traz a saudade?! Pra mim, o inverno, esse friozinho... que me faz lembrar com saudade dos meus velhos: vô Damé e vó Iolanda. É verdade, que primeiro a barriga roncou, no finalzinho da tarde de domingo gelado. Aí, me veio o pensamento agitado: "SOPA", desci, e servi um vinho... descascando os legumes e aquecendo a água (na jarra elétrica) lembrei que via os velhos no mesmo ritual, só que na frente do fogão à lenha, na chaleira, no domingo!
Ahhhh! A minha cozinha já começa a se esquentar, meus pés também, e o coração eu desenhei no vidro da janela em homenagem a eles...
No chic, chic, chic, da panela de pressão, é claro, que os avós de hoje também têm sua magia! Fazem sopa. No domingo, com a estufa nos pés e as mãos e os olhos no computador. Há sempre uma troca, não importa a data. Os avós, os filhos, os netos, aprendem...
Não demorou muito o cheirinho do cozido flutuou até o quarto do meu filho... um a um, vão descendo, hipnotizados, é, também, esfomeados.
Dá uma vontade de contar dos bisos! Melhor ficar quieta... eu já tomei dois ou três goles, de bochechas rosa, vão zoar comigo.
Queria falar daquela época que se aquecer era ver a véia com os pés ao lado do fogareiro. Fogareiro?! Sim. Uma mistura de panela de ferro com escorredor de massas, tisnada de preto, onde a brasa queimava e aqueciaaaaaaa... bahhh! Ai de quem sumisse com o tal.
E o véio?! Mazáááhhhh! O véio sentado, com o copo de vinho escondido, e o garrafão companheiro indiscreto ao lado, era o melhor aquecimento, em frente ao fogão (de lenha)... "-Não vai sair nesse frio e te entortar!" - dizia ele, pra quem fugisse da cozinhazinha de porta e janela vermelha.
Respiro fundo.
Saudade do banquinho, do colinho, dos olhos azuizinhos... os meus já estão cheios d'água.
Saudade do avental, da mesa grande, do fogão à lenha sempre quentinho, do olhar meiguinho, das unhas vermelho-descascadas, véia companheira!!!
Ô saudade!!! Coisa bôa!!!!
... e a minha sopa, já está pronta.

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